quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Guerra civil brasileira



Guerra no Rio? Favelas denunciam 'genocídio da juventude negra' em operações
Vladimir Platonow / Fotos Públicas
22:21 23.08.2017(atualizado 22:40 23.08.2017) URL curta
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Após 10 dias de operações que somaram mortes de inocentes, inúmeros abusos e tiroteios, deixando 27 mil crianças sem aulas, a Sputnik Brasil ouviu o lado das comunidades, silenciado na mídia e na sociedade diante da ocupação das Forças Armadas nas favelas do Rio de Janeiro.


Tomaz Silva / Fotos Públicas

Com o aumento dos confrontos nas comunidades do Rio, vítimas inocentes da violência se multiplicam dia após dia e os moradores dessas áreas onde a Polícia, com apoio das Forças Armadas tem realizado operações surpresas para combater traficantes, estão vivendo como reféns e obrigados a mudar seus hábitos, para não se tornarem estatísticas da morte.

Sputnik Brasil conversou com exclusividade com o secretário-geral da Faferj (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro), Fillipe dos Anjos, que classificou a política do Estado em relação à favelas como um "genocídio da juventude negra e favelada".

"A situação hoje é crítica com essa intervenção militar que a gente está sofrendo. E a favela passa por um processo histórico que não vem de hoje. Infelizmente esse desgoverno que estamos vivendo hoje do PMDB optou pela opção da força, da violência na ocupação das favelas, inclusive com o uso das Forças Armadas", afirmou Fillipe dos Anjos.

"Mas o que vem acontecendo nas favelas sistematicamente, considerado por diversas organizações do mundo, é o genocídio da juventude negra e favelada, que o governo e o Estado brasileiro não reconhece, mas é o que vem ocorrendo de forma sistemática pelo Estado brasileiro e cada vez aumentando mais com o cenário de crise", frisou o secretário-geral da Faferj. 

Ele criticou a narrativa adotada por alguns veículos de comunicação e pela sociedade de que há uma guerra no Rio de Janeiro, atribuindo a violência à uma política do Estado. 
"O dia-a-dia das pessoas está muito difícil. Você pode ver que a decisão pelo confronto da polícia afeta toda a comunidade. Infelizmente, boa parte da imprensa e da sociedade acredita numa política da guerra, de que há uma guerra no Rio de Janeiro. A gente na Faferj não concorda com essa questão da guerra", destacou.  

"As favelas nunca declararam guerra a ninguém. Nenhum favelado assinou nenhum termo declarando guerra contra o Estado. O que existe é um ataque do Estado devido à morte de um policial", disse.

"Lamentamos muito a morte do policial Bruno no Jacaré. Um policial muito valoroso, um policial que fazia um excelente trabalho, mas a comunidade não pode pagar pela morte desse policial e por essas operações", acrescentou Fillipe dos Anjos. 

Segundo ele, "já foram mais de 10 dias de operações, foram 7 moradores mortos, algumas drogas e algumas armas apreendidas e 27 mil alunos sem aula".  


 Fernando Frazão / Fotos Públicas
Nas últimas semanas confrontos estão acontecendo confrontos em pelo menos 9 comunidades das Zonas Norte e Baixada Fluminense: Complexo do Chapadão, Manguinhos/Benfica, Higienópolis, Maria da Graça, Rocha/Triagem, Jacaré/Jacarezinho, Complexo do Alemão, Del Castilho e Cachambi, regiões que foram alvos de operação no último domingo (20).

O secretário-geral da Faferj questionou também a efetividade dessas operações e forma com que estão sendo implementadas. De acordo com ele, "a Faferj pauta que não se tenha operações policiais sem um mínimo de planejamento nessas localidades" e que "não tenha operações policiais no horário de entrada e saída das crianças da escola".

"A gente afirma categoricamente que não há guerra no Rio de Janeiro, a guerra é uma política da força, não há guerra no Leblon, não tem guerra em Copacabana, porque tem guerra no Jacaré? Por que uma criança de uma escola pública no Jacaré tem que ficar sem aula? A gente acredita que não é esse o caminho que o Estado deve tomar", concluiu. 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A China se defende



Como adversários da China podem se aproveitar da crise em Mianmar para atingi-la?
© AFP 2017/ Thein Zaw
11:57 18.09.2017(atualizado 00:45 19.09.2017) URL curta
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Em meio ao conflito entre muçulmanos e budistas, a China está aumentando seu apoio diplomático e moral às autoridades de Mianmar, enviando também ajuda humanitária para refugiados muçulmanos de Mianmar em Bangladesh. Especialistas explicam como a crise com muçulmanos Rohingya ameaça os interesses da China no país.
A China já tomou vários passos para reforçar sua presença em Mianmar. Nomeadamente, abriu um escritório diplomático na nova capital de Mianmar, Naypyidaw (desde 2005), embora tradicionalmente, embaixadas estrangeiras estejam localizadas em Yangon — antiga capital. O novo escritório tem por objetivo preparar a transferência da embaixada chinesa da antiga capital para a nova, dando um exemplo para outros países.

 © REUTERS/ Simon Lewis
Além disso, a China enviou ajuda humanitária urgente a Bangladesh para muçulmanos que fugiram de Mianmar. Os países ocidentais, entretanto, ainda não pretendem agir do mesmo modo.

Tal atividade crescente de Pequim se deve ao fato da China ter muitos interesses econômicos e estratégicos em Mianmar. Além disso, ela não quer que a crise atual dos Rohingya a afete. Porém, há também forças externas que podem vir a usar a crise contra a China, acredita especialista em assuntos do Oriente e professor da Universidade Estatal de Moscou, Boris Volkhonsky.

De acordo com o especialista, Mianmar é uma via muito curta de transporte de energia e de outros recursos estratégicos do oceano Índico às províncias do sul da China, em primeiro lugar para Yunnan.

"Como vias de transporte se tornaram parte da grande política, há forças que não estão interessadas em que a China receba o caminho mais curto para o oceano Índico. São, antes de todos, os EUA, pois eles são o principal adversário econômico e geopolítico da China", explicou o professor em entrevista à Sputnik China.

É por esta razão que os adversários da China estão interessados em criar uma situação de tensões e caos controlado em Mianmar.

O especialista também sublinhou que a derrota do Daesh na Síria e Iraque pode obrigar os militantes restantes a procurar outro lugar para suas atividades. Mianmar é um destes lugares possíveis, além do Iêmen. Nas Filipinas e Indonésia, frisa Volkhonsky, tais grupos já existem.


© AFP 2017/ WANG ZHAO
Pequim está muito preocupada com a possibilidade de grupos terroristas, inclusive Daesh, penetrarem do Sudeste Asiático nas áreas sudoestes do país, tais como na província de Yunnan, localizada na fronteira com Mianmar, segundo o jornal South China Morning Post.

De acordo com um especialista em assuntos internacionais, que pediu anonimato, as preocupações indicadas são reais.

"A crise com os Rohingya continua crescendo, podendo levar a fusão de alguns extremistas locais com forças terroristas do Oriente Médio. Tudo isso lança um grande desafio ao Sudeste Asiático e à China, por isso é preciso tomar medidas preventivas", opinou.

Concluindo, o especialista frisou que a China acha muito importante preservar a paz e estabilidade em Mianmar, pois forças terroristas podem aproveitar a crise atual religiosa para afetar segurança não apenas em Mianmar, mas em todo o Sudeste Asiático, o que pode prejudicar também a China.